domingo, 1 de janeiro de 2017

O primeiro encontro

Há alguns meses atrás tive a oportunidade de conhecer o Gonçalo Santos que, tal como eu, é um grande apaixonado por plantas. Rapidamente nos tornámos bons amigos e, quase todos os dias trocamos ideias e dúvidas. Se eu não consigo viver sem os meus legumes, frutas e flores, o encanto dele são as plantas aromáticas. Tal é este encanto que ele criou o blogue "Something in the yard", através do qual ele dá a conhecer a sua colecção de plantas e partilha conhecimento, não só sobre elas mas, acima de tudo, como cuidar delas. Um excelente blogue, posso dizer.

Mas nos últimos tempos o Gonçalo está a ser atacado pelo bichinho das flores. O pelo menos assim parece. Nas últimas duas semanas é rara a conversa em que ele não me fale em bolbos. No fim de contas, estas conversas acabam sempre por me levar a memórias de mim próprio. O meu fascínio, desde os meus 5 ou 6 anos sempre foram os legumes. Mas, num certo dia, deparei-me com uma carteira de sementes de aquilégia e fiquei de olhos postos na fotografia. Foi amor à primeira vista. Aquelas, foram as primeiras sementes de flores que alguma vez lancei à terra.

Aquilégias um ano depois da sementeira: as felizes culpadas de uma paixão tão grande!


Depois disso, as minhas leituras sobre horticultura, levaram-me a descobrir que as flores podem ser um aliado precioso no controlo de pragas que afectam os legumes durante o seu crescimento, como também a atrair os insectos benéficos. Rapidamente percebi que as flores tinham o potencial para transformar qualquer horta monocromática e austera num espaço bonito, aprazível, relaxante e cheio de vida. E, sem me aperceber, a febre pelas flores ficou e nunca mais partiu. Ainda me recordo das primeiras flores que comprei como se fosse hoje. Melhor, ainda me recordo da sensação de alegria e plenitude que aquelas primeiras flores me deram. Numa manhã de Fevereiro de 2014, enquanto o céu ameaçava chuva, fiz uma tranquila caminhada por entre olivais, camomilas e alamedas de ulmeiros e azinheiras até ao centro de jardinagem próximo de minha casa. E de lá saí com vasos de pelargónios, bocas de lobo e salva roxa. Vinha apaixonado, feliz e crente de que a minha felicidade estava ali. Tudo o que precisava estava ali, na caixa que trazia no braços. Esta alegria está bem guardada na minha memória e, sempre que os dias parecem testar a minha resistência, recorro a ela por conforto.

Um dos pelargónios que trouxe comigo. Aquele rosa matizado em tom pastel arrebatou-me assim que o vi na loja. 

Claro que, no fim de contas, o bichinho das flores tornou-se incontrolável (felizmente). Hoje, procuro plantas raras, procuro plantas em risco de extinção; procuro plantas que, pelas suas exigências de cultivo, me fazem aprender e conhecer melhor o solo, as plantas, o clima, assim como os equilíbrios naturais de que elas dependem para crescer. E isso, quando transportado para a horticultura, é conhecimento valioso, pois permite-me cultivar legumes com melhor qualidade, menos trabalho e menor impacto ambiental.   

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